
Uma marcha promovida pela União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) percorreu hoje as ruas do Porto para exigir a criação do Museu da Resistência Antifascista no edifício da Rua do Heroísmo, antiga sede da PIDE, e museu militar desde 1980.
Os organizadores procuram pressionar o Governo a implementar um projeto de resolução, aprovado a 26 de setembro de 2025 na Assembleia da República, e publicado no Diário da República. A proposta foi aprovada com votos favoráveis do PCP, PS, L, BE, PAN e JPP, com a abstenção do PSD e IL e os votos contra do Chega e CDS-PP.
A resolução da Assembleia da República n.º 181/2025, de 10 de dezembro, refere que o Governo deve apoiar “a implementação em curso do projeto museológico ‘Do Heroísmo à Firmeza – Percursos na memória da casa da PIDE no Porto (1936/74)’, envolvendo a União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) e integrando a experiência adquirida neste processo e o acesso às fontes que registam os contributos e testemunhos de quem lutou, resistiu e sobreviveu à passagem pelo edifício do Heroísmo”.
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O diploma acrescenta que o governo deve fixar a calendarização para a deslocalização do Museu Militar, que ocupa atualmente o edifício do Heroísmo, para aí ser instalado o novo Museu da Resistência Antifascista no Porto.
Por último o projeto de resolução aprovado prevê a criação da rede nacional de museus da resistência, “em respeito pela autonomia do poder local”, permitindo a articulação entre o Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, de Lisboa, o Museu Nacional da Resistência e da Liberdade, de Peniche, e o futuro museu da resistência, do Porto.
Já em 2019 tinha sido aprovado no Parlamento um projeto semelhante do PCP e BE que recomendava ao governo a instalação de um Museu da Resistência e Liberdade no Porto e a criação de uma Rede Nacional dos Museus da Resistência.
Um edifício marcado pela repressão
O edifício da Rua do Heroísmo albergou entre 1936 e 1974 a delegação do Porto da polícia política do Estado Novo (PVDE, PIDE e DGS), funcionando como centro de detenção, interrogatório e tortura. A URAP, que organizou a marcha de hoje, sublinha que terão passado por aquele local mais de 7.600 pessoas, tendo sido documentados, pelo menos, dois assassinatos cometidos dentro daquelas instalações.
Foi também em frente ao edifício que, a 26 de Abril de 1974, ocorreu a primeira grande concentração popular de celebração da Revolução dos Cravos na cidade e ainda hoje é o local onde se inicia, tradicionalmente, o desfile do 25 de abril no Porto.
A marcha deste sábado, que resistiu à chuva e a uma forte trovoada que fustigou a cidade, partiu do Largo de Soares dos Reis, junto ao busto de Virgínia Moura – uma figura emblemática da resistência feminina ao regime – e percorreu a Rua de Santa Catarina até aos Aliados.
A URAP apela ao governo que, no próximo Orçamento do Estado, reserve uma verba específica para a criação deste museu.



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