
Um novo relatório da Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E) e da Clean Cities Campaign, publicado hoje, alerta para os riscos do crescimento contínuo das dimensões dos automóveis que são vendidos na Europa, com impactos diretos na segurança rodoviária, no espaço público das cidades e no consumo de energia.
Os novos automóveis vendidos na Europa têm vindo a aumentar de tamanho de forma sistemática. Nos últimos 26 anos (desde 2000), o comprimento médio dos veículos europeus cresceu 1,2 centímetros por ano, e a altura aumentou 0,5 centímetros por ano, uma tendência que se mantém apesar da redução do número médio de pessoas por agregado familiar e da baixa ocupação média dos automóveis.
O estudo agora divulgado, intitulado “Cada vez maiores? O tamanho dos carros numa encruzilhada“, prevê que esta tendência se mantenha até 2040, e compara-a com um cenário de “redimensionamento adequado” (“right-sizing“), no qual políticas públicas contribuem para que os veículos novos regressem às dimensões médias observadas em 2015.
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Menos espaço nas cidades e mais mortes na estrada, sobretudo entre crianças
Cerca de metade do espaço público nas cidades europeias, já está ocupado pelo transporte rodoviário. Em Portugal, essa ocupação traduz-se frequentemente em passeios estreitos, estacionamento ilegal e falta de ciclovias. Segundo este novo estudo, se a tendência atual se mantiver, com o aumento do tamanho dos automóveis, as cidades europeias poderão perder entre 8,5% e 14% dos lugares de estacionamento em superfície até 2040, ou espaço equivalente que poderia ser usado para mobilidade sustentável.
O relatório estima que, entre 2026 e 2040, esta tendência atual poderá resultar em mais 2.500 mortes de adultos e mais 79 mortes de crianças nas estradas europeias, em comparação com o cenário de redimensionamento adequado. Em 2040, prevê-se que ocorram 400 mortes anuais a mais entre utilizadores vulneráveis da via, como peões, ciclistas, motociclistas e utilizadores de ciclomotores.
O aumento da altura dos capots é identificado como particularmente perigoso para as crianças, mais sujeitas a serem atingidas nas zonas da cabeça ou no tórax. O estudo prevê um aumento de 40% no número de crianças peões, mortas em atropelamentos até 2040.
Mais energia gasta, mais custos para as famílias
Veículos maiores consomem mais energia. No caso dos veículos elétricos, o estudo estima um consumo adicional acumulado de 116 TWh até 2040 na União Europeia e no Reino Unido, que se deverá traduzir em custos extra de 36 mil milhões de euros nas faturas de carregamento das famílias entre 2026 e 2040.
Nos veículos a combustão, a tendência poderá representar um consumo adicional equivalente a 100 milhões de barris de petróleo até 2040, com um custo estimado de 10 mil milhões de euros.
As medidas propostas pela Associação ZERO
O estudo foi divulgado em Portugal pela associação ZERO, que é membro das duas organizações que produziram este estudo, e que propõe algumas medidas para inverter esta tendência, nomeadamente, a definição de um limite máximo de 85 cm para a altura do capot e 192 cm para a largura dos automóveis, aplicável a novos modelos a partir de 2033 e a todos os veículos novos vendidos a partir de 2036.
A ZERO propões ainda a reforma da fiscalidade nacional sobre veículos ligeiros, para desincentivar a compra de carros maiores, o ajuste do valor das portagens em função da dimensão dos veículos, tarifas de estacionamento mais elevadas para veículos maiores, a definir pelos municípios e o incentivo a veículos elétricos compactos, com comprimento até 4,2 metros.



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