
As tradicionais rusgas de S. João do Porto vão realizar-se este ano no dia 27 de junho, sábado, encerrando os festejo de S. João na cidade. As rusgas vão concentrar-se pelas 18h30 na Rua de Passos Manuel, junto ao Coliseu, e desfilam em direção aos Aliados, com a apresentação a decorrer na Praça General Humberto Delgado, em frente à Câmara Municipal.
As rusgas de S. João consistem num desfile pelo centro do Porto de vários grupos organizados em representação das diferentes freguesias do município. No dicionários, a rusga é definida como uma “aglomeração de pessoas que se deslocam pela rua em ambiente festivo, cantando e dançando“, mas no caso das rusgas do Porto, passou a existir também uma componente competitiva, já que existe um juri que escolhe as melhores rusgas, em função de vários critérios.
As rusgas distinguem-se das “marchas” por terem uma componente mais expontânea e popular, embora existam ensaios das coreografias durante as semanas que antecedem o desfile nas diferentes freguesias.
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O desfile não tem uma data fixa no calendário. Geralmente, depende do dia da semana em que se festeja o S. João, sendo agendado o desfile para o fim de semana a seguir à noite de S. João (23 de junho) ou, como aconteceu no ano passado, no fim de semana anterior.
As origens desta tradição
As rusgas nasceram como um movimento espontâneo, sem qualquer organização ou calendário oficial. Grupos de pessoas das zonas periféricas da cidade juntavam-se na noite de São João e iam agregando mais gente ao longo do percurso, parando em vários pontos para dançar, até chegarem juntos à Ribeira ou às Fontaínhas.
Algumas pessoas percorriam quilómetros a pé, enquanto os mais abastados faziam o percurso a cavalo ou de burro, e vestiam roupa do dia a dia ou a roupa de trabalho. Eram leiteiras, peixeiras, pescadores, agricultores ou lavadeiras, profissões populares que acabariam por se tornar, mais tarde, os próprios temas recorrentes dos desfiles das rusgas.
Esta prática espontânea está intimamente ligada às festas de São João no Porto, e acredita-se que possa ter surgido antes do século XIV, com registos que confirmam a sua existência nesse século.
A tradição foi-se perdendo ao longo das décadas, até que a Câmara Municipal do Porto decidiu recuperá-la oficialmente em 1991, organizando o primeiro desfile competitivo das rusgas de forma regulamentada.
Cada freguesia passou a apresentar a sua rusga, com tema, música original e coreografia próprios, que são avaliados por um júri na Praça General Humberto Delgado. Amália Rodrigues chegou a ser madrinha das rusgas do Porto nos seus primeiros anos.
Campanhã e Bonfim são duas das rusgas mais competitivas. A rusga de Campanhã venceu a edição do ano passado com um tema dedicado aos manjericos e balões de S. João.
Apesar do caráter menos espontâneo, as rusgas conservam a mesma alegria coletiva, o bairrismo e o espírito comunitário de cada freguesia. A edição deste ano será transmitida em direto no Porto Canal.
No mesmo dia, 27 de junho, vai decorrer um evento relacionado com a Cascata Comunitária de São João, no Mercado do Bolhão. O evento é gratuito, e consiste em duas sessões de oficinas, às 11h00 e 15 horas, para a montagem comunitária da Cascata de São João, que ficará em exposição no Mercado do Bolhão.



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