
Carlos Taibo, é escritor, pensador e professor aposentado de Ciência Política e Administração da Universidade Autónoma de Madrid, onde exerceu durante 30 anos. Esteve na cidade do Porto, na passada 6ª feira, para apresentar o seu livro “Histórias Antieconómicas“, recentemente editado e traduzido para português pela Cornuda Radiante, que é composto por 101 histórias, anedotas e contos.
A apresentação no Gato Vadio (R. da Maternidade 124) sucedeu a outra, ocorrida na véspera do Espaço Musas (R. do Bonjardim 998) e no âmbito de uma jornada pelo norte de Portugal, que inclui passagens pelo Campo do Gerês e Pitões das Júnias.
Num ambiente descontraído e informal, Taibo antecipa o colapso geral do sistema económico atual, resultado do crescimento económico e consumo, e acredita que ele já está a acontecer. Nas cinzas dessa catástrofe social, o escritor antecipa uma sociedade diferente, com uma redução drástica da população, uma redução da oferta de energia, o fim da civilização do automóvel tal como a conhecemos, e também o colapso do comércio internacional. Ao nível económico, Taibo prevê um crescimento negativo, o desaparecimento de muitas empresas, aumento do desemprego e uma subida relevante nos preços dos bens básicos de consumo.
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O colapso do sistema económico levará consigo uma boa parte da saúde, educação e as pensões. Um duro golpe que será, segundo o autor, muito mais forte nas cidades do que no mundo rural.
Este cenário negro, enquadra-se na teoria do colapso das sociedades desenvolvidas, que o escritor desenvolve há cerca de 20 anos, e na necessidade – no seu entender – de se implementar um decréscimo económico em oposição, ao que Taibo considera ser, a superstição do crescimento económico, que nos é vendido como uma benção de Deus, e como sendo a única solução para uma sociedade melhor, com coesão social, serviços públicos razoavelmente alicerçados, níveis altos de consumo, e para travar o crescimento da pobreza, da desigualdade e do desemprego.
Carlos Taibo entende que não. E deu o exemplo da China, país que tem crescido de forma notável nas 3 últimas décadas, mas que não se pode dizer que seja hoje um país mais coeso do que era há 30 anos. Todos o dados indicam o contrário, afirma o escritor.
Os limites dos recursos do planeta são outo motivo que, segundo ele, justifica a necessidade de um descrescimento. Numa altura em que economias emergentes, como a China ou a Índia, mantêm estratégias de crescimento ao longo das últimas 3 décadas, o surgimento de classes médias que procuram reproduzir os níveis de consumo das classes médias do hemisfério norte, como os Estado Unidos ou a Europa, levará a uma situação de rutura. “Se chegar esse momento, o planeta claramente, não dá“, afirma Taibo.
Não só precisamos de decrescer, mas na perspetiva de Carlos Taibo, o norte desenvolvido “tem que decrescer, não para exigir que os países do sul façam o mesmo, mas para que cresçam de maneira diferente, que não reproduzam os problemas gravíssimos que nós fomos criando com o passar do tempo“.
Carlos Taibo é autor de vários livros em galego-português, entre os quais, Decrescimento, crise, capitalismo (2010), Parecia não pisar o chão. Treze ensaios sobre as vidas de Fernando Pessoa (2010), Galego, português, galego-português? (juntamente com Arturo de Nieves) (2013), O penálti de Djukic (2016), Colapso (2019), A tortilha de Betanços (2020) e Ibéria esvaziada. Despovoamento, decrescimento, colapso (2022).
Em 2024 editou “O Nosso Porto – Um Olhar a Partir da Galiza”, pela Através Editora.
O livro “Histórias Antieconómicas”, com ilustrações (capa) de Rita Faia, é composto por 101 histórias, anedotas e contos que, segundo o próprio autor, surgem da ideia que “é preciso contestar a lógica económica dominante“, e está disponível na editora Cornuda Radiante.



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