Com as temperaturas a atingir valores extremos em Portugal, a associação ambientalista ZERO alerta para o aumento das concentrações de ozono troposférico (na superfície do planeta), um poluente que se forma precisamente em dias de forte calor, intensa radiação solar e céu limpo, tal como as que ocorrem atualmente em Portugal.

Perante este cenário, a ZERO defende a emissão de avisos antecipados à população por parte da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, sempre que haja forte probabilidade de ultrapassagem dos limiares legais, com divulgação obrigatória pelas rádios nacionais, locais e televisões. Além do envio de avisos por SMS diretamente para os telemóveis da população nas zonas afetadas, à semelhança do que já existe para outros alertas de emergência, uma medida que a ZERO considera urgente, dado que as ultrapassagens aos limiares têm uma duração de apenas algumas horas, deixando pouco tempo para que a informação chegue às pessoas em tempo útil.
A associação esclarece que, ao contrário do ozono da camada estratosférica, que protege a Terra da radiação ultravioleta, o ozono formado à superfície é nocivo para a saúde. Este poluente secundário resulta da reação química entre os óxidos de azoto, emitidos pelo tráfego e pela indústria, e os compostos orgânicos voláteis, acelerada pelo calor e pela radiação solar.
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Norte sem dados em tempo real
Segundo a Zero, até às 15h00 da passada quinta-feira, duas estações de monitorização já registavam ultrapassagens ao limiar de informação ao público de 180 microgramas por metro cúbico: Alfragide e Reboleira, ambas na Amadora. A situação pode agravar-se durante o fim de semana, precisamente porque com menos tráfego rodoviário nas cidades o efeito de destruição natural do ozono diminui, podendo as concentrações mais elevadas deslocar-se para zonas suburbanas, periurbanas e no interior do país.
A ZERO alerta ainda para o facto da região Centro não ter disponíveis dados públicos de qualidade do ar, e várias estações de monitorização nas regiões Norte e Alentejo também não estarem a transmitir informação em tempo real, “A população pode consultar os níveis de ozono medidos através da rede de monitorização de qualidade do ar no site da Agência Portuguesa do Ambiente (qualar.apambiente.pt) e na aplicação QualAr, sendo que no caso das estações de monitorização da qualidade do ar do Centro e nalguns locais com estações de monitorização nas regiões Norte e Alentejo essa informação não está disponível”, adianta a ZERO.
Os efeitos do ozono na saúde são concretos e mensuráveis e podem causar danos nos pulmões, inflamação das vias respiratórias, aumento da tosse e maior probabilidade de crises de asma, com impacto mais severo em crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. A exposição ao ozono é responsável pela morte prematura de milhares de pessoas na Europa por ano. Em caso de concentrações elevadas, a recomendação é permanecer em casa ou em locais fechados e evitar atividade física intensa.



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