Dois novos Hotéis, um Hospital e um Colégio privado nos terrenos da Exponor

Investimentos milionários nos terrenos da Exponor que vão ser servidos por uma ligação de metrobus a Matosinhos e aeroporto (em construção).

Exponor Matosinhos Leça da Palmeira

O fundo Quadrantis Capital, liderado pelo empresário João Rafael Koehler, e o Grupo MCaetano concluíram a compra da totalidade do património imobiliário da Nexponor, o parque de exposições da Exponor e dois lotes adjacentes, por 40 milhões de euros, num negócio que abre caminho a uma enorme transformação urbana em Leça da Palmeira.

A operação, assessorada pela consultora imobiliária Cushman & Wakefield e pela Abreu Advogados, foi anunciada a 29 de junho. Os ativos estavam em comercialização desde outubro de 2025, com um preço base inicial de 32 milhões de euros, e receberam cerca de dez propostas de aquisição, metade de origem estrangeira.

O conjunto inclui o parque de exposições da Exponor e dois lotes destinados à promoção imobiliária, totalizando uma área bruta de construção de aproximadamente 180 mil metros quadrados acima do solo, numa das localizações consideradas mais estratégicas da Área Metropolitana do Porto, entre a A28, o Porto de Leixões, o aeroporto Francisco Sá Carneiro e a linha de costa.

Nos planos dos novos proprietários, apurou o Jornal de Notícias junto de uma fonte ligada ao processo, está prevista a construção de um novo polo urbano, conjugando habitação de luxo, dois novos hotéis, bem como parcerias para a instalação de um hospital, um colégio privado, entre outros serviços. O projeto enquadra-se num empreendimento de uso misto que prevê, além da modernização do atual parque de feiras e exposições, a criação de edifícios para habitação, comércio, serviços e turismo, numa transformação que, segundo os investidores, deverá ter entre 10 e 18 andares. A Quadrantis pretende investir cerca de 15 milhões de euros na modernização e adaptação do espaço de exposição e das áreas de serviços.

Em abril de 2024, a Câmara Municipal de Matosinhos aprovou um projeto de grande escala para a requalificação e expansão da Exponor, através de um Pedido de Informação Prévia (PIP) e de um AUDAC, que se mantêm em vigor. Os novos donos assumiram o compromisso de respeitar “a importância económica do Parque de Feiras e Exposições para a região“, garantindo a continuidade da atividade expositiva durante o processo de transformação, o que inclui eventos já agendados para os próximos meses, como a FIMAP, prevista para acontecer em outubro deste ano.

O negócio é descrito pelos investidores como um “projeto urbano sustentável”, com impacto na criação de emprego e dinamização económica em Leça da Palmeira, Matosinhos e em toda a região envolvente. A presidente executiva da Insula Capital, Florence Ricou, que acompanhou o processo de venda, considerou que a transação representa “o reconhecimento do potencial transformador de um território único” e assinalou a entrada da Exponor “numa nova fase da sua história“.

A concretização do projeto está ainda dependente de aprovações urbanísticas complementares e licenciamentos, num processo que se antecipa longo mas que os investidores descrevem como alinhado com a visão da autarquia de Matosinhos para o desenvolvimento do concelho.

Recorde-se que aquela zona de Leça da Palmeira já tem dois grandes hotéis em funcionamento, o Holiday Inn Express Porto Exponor e o TRYP Porto Expo Hotel, e tem em marcha a construção de uma linha de Metrobus que vai passar na Exponor com ligação a Matosinhos e ao aeroporto, além da requalificação da ponte móvel de Leça, que também está a decorrer neste momento.

A Cushman & Wakefield está cotada na bolsa de Nova York com receitas anuais superiores a 9 mil milhões de dólares. O grupo MCaetano é especializado na construção e promoção de imóveis de luxo no Porto, com projetos em Matosinhos, Vila Nova de Gaia, Paredes e Penafiel.

Por sua vez, o fundo Quadrantis deu que falar quando, segundo a imprensa, estabeleceu um acordo com o FC Porto para um empréstimo de 75 milhões de euros, com a obrigação de um pagamento inicial de 25 milhões de euros em juros, ou seja, cobrava juros de 13% financiando-se a 7,5%. O FC Porto ficaria como fiador do empréstimo, com os passes de Otávio e Alan Varela como garantia, e pagaria 15 milhões de euros a cada mês de setembro durante cinco anos. O negócio não avançou porque Koehler não conseguiu reunir os investidores a tempo. Entretanto, em fevereiro de 2025, foi noticiado que a Quadrantis Capital estava em negociações para entrar no capital do jornal ECO, num aumento de capital de 500 mil euros.

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