O Global Wealth Report 2026 do UBS, publicado ontem, revela uma contradição na distribuição dos rendimentos em Portugal. O país ganhou 6.000 novos milionários em 2025, mas a riqueza da maioria dos portugueses caiu pelo quinto ano consecutivo desde a pandemia.
Portugal ocupa atualmente o 26.º lugar a nível mundial em termos de riqueza média por adulto, com 195.761 dólares, cerca de 172 mil euros. A riqueza combinada dos 181 mil milionários portugueses está estimada em 451,5 mil milhões de dólares, cerca de 396 mil milhões de euros. E a estimativa é que o número de milionários continue a crescer em Portugal nos próximos anos.
Portugal terminou 2025 com 181 mil milionários em dólares, um crescimento de 3,4% que superou a média global de 1,5%. No mesmo período, porém, a riqueza média por adulto caiu 5,4% em termos reais, fixando-se nos 76.978 dólares – abaixo dos níveis pré-pandemia. A diferença entre os dois indicadores revela que a riqueza média sobe quando os ganhos se concentram no topo. A riqueza mediana, que representa o português típico, caiu.
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O imobiliário e outros ativos não financeiros continuam a ser a base da riqueza dos milionários portugueses, o que, segundo o relatório da UBS, “pode limitar a participação nos ganhos impulsionados pelos mercados” financeiros. Apenas 37% da riqueza bruta das famílias portuguesas está alocada em ativos financeiros, enquanto nos Estados Unidos, quase 79% da riqueza das famílias está investida em ativos financeiros. Uma diferença considerável.
A subida dos preços da habitação fez crescer o património em papel de muitos proprietários e ajudou alguns a alcançar o patamar de milionário em dólares. Mas esse aumento não significa necessariamente maior rendimento disponível ou liquidez. Quando os preços do imobiliário sobem, o património aumenta contabilisticamente, mas esse ganho só se transforma em dinheiro se o imóvel for vendido.
O UBS alerta para o risco de apenas 37% da riqueza das famílias portuguesas estar em ativos financeiros, uma das proporções mais baixas da Europa, o que deixa os portugueses muito dependentes da valorização imobiliária e muito pouco expostos aos mercados que têm sido o principal motor da criação de riqueza global.
O relatório termina com um alerta. Quem não tem acesso a ativos financeiros tende a ficar para trás. Os dados mostram que, em Portugal, isso já está a acontecer.



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