
Cerca de 25 composições do Metro do Porto tiveram de interromper o serviço ao longo da tarde e noite de ontem, quinta-feira depois de os sistemas de ar condicionado terem entrado em falha, devido ao calor extremo registado no Grande Porto. O problema afetou sobretudo as linhas Azul (Matosinhos), Amarela (Gaia) e Laranja (Gondomar), causando atrasos significativos e deixando passageiros sem qualquer informação sobre o que estava a acontecer.
Pouco depois das 19h30, uma nova ocorrência foi registada na estação da Senhora da Hora, em Matosinhos, onde foi pedido aos passageiros que abandonassem a composição por causa do calor excessivo no interior das carruagens. Vários utentes foram apanhados de surpresa, sem qualquer informação prévia sobre os atrasos ou sobre a razão das interrupções, ficando a aguardar na estação pela chegada de uma composição de substituição.
Em comunicado, a Metro do Porto afirmou que “está ciente das falhas verificadas no sistema de ar condicionado de algumas das composições Eurotram” e lamentou “o desconforto que estas situações têm causado” aos utentes.
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A empresa refere que os 72 veículos Eurotram foram adquiridos numa altura em que, segundo a Metro, “não eram expectáveis as ondas de calor contínuas como aquelas a que, hoje, a população está sujeita“, tendo sido definido “um referencial térmico máximo na ordem dos 35 graus centígrados“. Uma vez ultrapassada essa temperatura, o ar condicionado desliga-se automaticamente “devido à alta pressão”.
Com as temperaturas desta semana a aproximarem-se, ou a ultrapassar os 40°C, em vários pontos da Área Metropolitana do Porto, o sistema atingiu os seus limites e colapsou.
As queixas começaram a surgir ao final da tarde. O 41N tentou contactar ontem a Metro do Porto mas não foi possível conseguir o contato com a linha de apoio. Nas redes sociais do Metro também não aparecia nenhuma explicação. Só mais tarde, a empresa emitiu um comunicado esclarecendo os utentes sobre o que tinha acontecido.
As Eurotram são as composições mais antigas da frota, que circulam desde o início da operação do metro, no ano de 2002. A Metro do Porto anunciou que “foram adquiridas mais 22 unidades que chegarão em breve”, contribuindo para a renovação da frota, e que a empresa “reforçou a manutenção preventiva do sistema de ar condicionado” para os dias com temperatura mais elevadas.
A empresa ressalvou ainda que “nenhuma composição inicia a operação sem o sistema de ar condicionado operacional”, mas admitiu que as características dos Eurotram, sobretudo a sua antiguidade e as grandes áreas envidraçadas, “impedem a completa resolução das anomalias” neste tipo de dias. A Metro do Porto não explicou porque razão o sistema não emitiu avisos para os utentes que permaneceram, confusos, nas várias estações, à espera do transporte.
O episódio de ontem não é o primeiro deste verão, e dificilmente será o último. Com a vaga de calor prevista para se prolongar pelo menos até dia 7 deste mês, com máximas acima dos 35°C na região do Porto durante vários dias consecutivos, o problema estrutural das composições mais antigas pode voltar a condicionar o serviço nos próximos dias.



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