
A expetativa era grande para ver de que forma a seleção de Cabo Verde, a grande surpresa deste mundial de futebol, conseguia fazer frente à Argentina de Lionel Messi, depois de um empate com a Espanha, Uruguai e Arábia Saudita.
Podia pensar-se que a Argentina, campeã mundial, já estaria prevenida para a qualidade e talento dos cabo-verdianos, e que ia conseguir fazer uso da sua maior experiência para ultrapassar facilmente este obstáculo, nos 16 avos de final da competição.
Mas, mais uma vez, a equipa de Cabo Verde surpreendeu o mundo inteiro com uma entrega e disciplina dentro de campo que deu que fazer aos argentinos e levou a decisão para o prolongamento.
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Sem surpresa, Cabo Verde começou o jogo na expetativa, com as duas linhas defensivas compactadas em frente à área tentando neutralizar o poderoso ataque argentino. Conseguiu fazê-lo durante quase meia hora, mas ao minuto 29′ apareceu Messi que, na sequência de um lançamento, apontou à baliza e fez o seu sétimo golo no mundial.
Cabo Verde não baixou os braços e manteve a confiança, procurando surpreender na velocidade do contra-ataque. O jogo foi para o intervalo com a sensação que nada estava decidido.
No segundo tempo, a Argentina relaxou e Cabo Verde aproveitou para arriscar mais. Os Tubarões Azuis subiram no campo e começaram a aproximar-se mais da baliza adversária. Depois de uma defesa de Martínez, Cabo Verde insistiu e, numa jogada pela direita aos 59′ Ryan Mendes cruzou para Deroy Duarte que recebeu a bola e rematou para o fundo da baliza. Foi o primeiro de Duarte no mundial e o sinal que a eliminatória podia cair para qualquer um dos lados.
A partir daqui, esperava-se que o treinador de Cabo Verde recuasse a equipa novamente, para tentar segurar o empate até aos 90 minutos, mas não. Pouco depois do golo do empate, aos 67′, surpreendeu toda a gente ao refrescar o ataque, com a entrada de Dailon Livramento (avançado) e o médio ofensivo Jamiro Monteiro.
Logo a seguir, Messi aparece sozinho frente a Vozinha, mas o guarda-redes sensação do mundial ganhou ao internacional argentino, impedindo o segundo golo.
Aos 81′, novo susto para a seleção de Cabo Verde com Pico Lopes a cortar uma bola difícil para canto, que quase dava auto-golo. Vozinha continuava seguro na baliza travando todos os remates de Leonel Messi, e apesar do domínio argentino, permanecia a ameaça dos cabo-verdianos, determinados em lutar até ao último minuto.
Cabo Verde aguentou o 1-1 até ao final dos 90′, levando a decisão para prolongamento o que constitui um feito histórico, tendo em conta que é a sua primeira participação num mundial de futebol.
O prolongamento não começou da melhor maneira, com Messi a cobrar um pontapé de canto, Mac Allister cabeceou ao primeiro poste e Lisandro Martínez, no segundo poste recebeu a bola e rematou forte, sem hipóteses para Vozinha.
Parecia que o sonho tinha acabado. Os jogadores acusavam o desgaste, mas os argentinos não estavam em melhor forma. Mais uma vez, a equipa de Cabo Verde reagiu de forma positiva ao golo sofrido, foi para cima do adversário e, poucos minutos depois, aos 103′ do prolongamento, Sidny Cabral marca um golaço. O jogador recebeu a bola do lado esquerdo, puxou para o canto da grande área e faz um remate em arco que deixou Martínez sem qualquer hipótese de lá chegar.
A euforia foi tal que Sidny esqueceu-se que ainda havia jogo, e foi festejar para a bancada do estádio com a namorada.
A partir daqui, Cabo Verde teria que aguentar o empate até ao final do prolongamento e deixar nas mãos de Vozinha a decisão final.
Mas a Argentina cresceu, empurrada por um estádio cheio de adeptos sul americanos a puxar pela equipa e chegou novamente à vantagem na sequência de um canto batido por Messi. Com alguma felicidade, Cristián Romero cabeceou, a bola bate no braço de Diney Borges e entra junto ao poste.
Com cerca de 10 minutos para acabar, Cabo Verde deu tudo para restabelecer o empate novamente. Aos 116′ Sidny Cabral obrigou Dibu Martínez a uma defesa apertada. Quase repetia o que tinha feito minutos antes.
Aos 119′, nova oportunidade para Cabo Verde, com Martínez a defender para canto. Era o último suspiro dos tubarões neste campeonato. Ficou a sensação que mereciam ir mais longe.
A Argentina sofreu bastante, mesmo tendo sido superior nas estatísticas. Cabo Verde fez 15 remates, 5 deles à baliza, num jogo verdadeiramente emocionante e espetacular, com incerteza no resultado até ao apito final do árbitro.
Está, sem dúvida, de parabéns a equipa de Cabo Verde pela forma como se bateu nestes 16 avos de final contra a poderosa Argentina.



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