Mundial ensombrado pelo regime autoritário e discriminatório de Donald Trump

A chegada de atletas e árbitros aos EUA para o Mundial de Futebol, ficou marcada por uma intervenção rigorosa e apertada dos serviços migratórios americanos. As imagens correram o mundo.

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Depois de ter entregue o Prémio da Paz a Donald Trump, a FIFA viu-se agora a braços com as políticas de imigração impostas pelo Presidente americano, que estão a chocar o mundo.

Quando atletas, árbitros e jornalistas começaram a chegar aos três países que acolhem o Mundial de Futebol, os Estados Unidos prepararam uma receção nunca vista nesta competição, com imagens de agentes de imigração a revistar atletas e a proibir um dos árbitros designados pela FIFA de entrar em território americano.

As seleções do Senegal e Uzbequistão, ao desembarcar no aeroporto na Carolina do Norte, tinham à sua espera agentes da polícia migratória americana, que num ato considerado de humilhação, revisitaram minuciosamente na pista os jogadores e equipa técnica, com recurso a cães farejadores e detetores de metais. Os jogadores do Senegal tiveram inclusivé que se descalçar para a revista feita pelos agentes. As imagens correram o mundo e motivaram inúmeras críticas à organização americana e à própria FIFA.

Selecao Senegal Estados Unidos revista - fonte X
Seleção do Senegal na chegada aos Estados Unidos (foto: reprodução X)

Horas antes, o árbitro internacional, Omar Artan, viu a sua autorização de entrada nos Estados Unidos recusada pelas autoridades americanas, sendo assim impedido de participar neste Mundial de Futebol, apesar de ser considerado um dos melhores árbitros de África.

A Somália é uma das dezenas de nacionalidades que estão impedidas de entrar nos EUA. No entanto, estas restrições podem ser alteradas se o motivo fôr do interesse nacional. As autoridades entenderam que não era, e obrigaram a FIFA a substituír o árbitro por outro, de outra nacionalidade.

O Ministério dos Desportos da Somália garantiu que Omar Artan tinha um visto válido para entrar nos EUA, o que torna este caso ainda mais insólito. Mais tarde, o Departamento de Estado norte-americano indicou que Artan tinha “ligações com indivíduos suspeitos de pertencerem a organizações terroristas“, justificando assim a decisão de barrar a sua entrada no país.

Confrontado pelos jornalistas, na passada quarta-feira, o Presidente da FIFA, Gianni Infantino, limitou-se a dizer que “É lamentável o que lhe aconteceu, mas não controlamos tudo“, referindo-se ao caso de Omar Artan.

Por sua vez, a seleção iraniana foi obrigada a instalar-se no norte do México, em Tijuana, apesar de jogar nos EUA, devido às restrições impostas por Washington, que concedeu vistos apenas a uma parte da comitiva iraniana, poucos dias antes da sua estreia no Mundial.

O Irão tem o jogo de estreia marcado para o próximo dia 16 de junho em Los Angeles (Estados Unidos) onde vai defrontar a Nova Zelândia. Resta saber se os atletas iranianos vão conseguir entrar no país e chegar a Los Angeles para jogar.

Paralelamente a estas polémicas, a FIFA decidiu credenciar o jornalista desportivo francês Christophe Gleizes, da revista So Foot, que se encontra atualmente detido na Argélia. Gleizes foi condenado a sete anos de prisão em 2024 acusado de “apologia ao terrorismo” e por fazer publicações “com fins de propaganda contrários ao interesse nacional“, segundo a acusação do Governo argelino.

O jornalista francês foi detido em maio de 2024, quando estava a realizar uma reportagem sobre o clube argelino JS Kabylie, um dos principais clubes de futebol da Argélia, com sede na cidade de Tizi Ouzou.

O Presidente da FIFA afirmou, na conferência de imprensa, da passada quarta feira, realizada no estádio Azteca (palco da abertura do Mundial) que “há um lugar vazio nesta sala hoje. Ele é para o jornalista francês Christophe Gleizes, o único repórter desportivo detido no mundo“.

Dificilmente o jornalista francês marcará presença no Mundial, a menos que receba um perdão presidencial das autoridades da Argélia, nos próximos dias. No entanto, e apesar da posição da FIFA, a Argélia participa na competição.

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Credenciação do jornalista frances Christophe Gleizes, detido na Argélia (foto: Repórteres Sem Fronteira)

O Mundial de Futebol FIFA 2026, decorre de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá, e contará pela primeira vez, com 48 seleções em competição, apurando-se para a fase a eliminar os dois primeiros de cada um dos 12 grupos, além dos oito melhores terceiros classificados de cada grupo.

Grupos:

  • A
  • B
  • C
  • D
  • E
  • F
  • G
  • H
  • I
  • J
  • K
  • L

🇲🇽 México

🇰🇷 Coreia do Sul

🇨🇿 Tchéquia

🇿🇦 África do Sul

🇨🇦 Canadá
🇧🇦 Bósnia e Herzegovina
🇶🇦 Catar
🇨🇭 Suíça

🇧🇷 Brasil
🇲🇦 Marrocos
🇭🇹 Haiti
🏴󠁧󠁢󠁳󠁣󠁴󠁿 Escócia

🇺🇸 Estados Unidos
🇵🇾 Paraguai
🇦🇺 Austrália
🇹🇷 Turquia

🇩🇪 Alemanha
🇨🇼 Curaçao
🇨🇮 Costa do Marfim
🇪🇨 Equador

🇳🇱 Países Baixos
🇯🇵 Japão
🇸🇪 Suécia
🇹🇳 Tunísia

🇧🇪 Bélgica
🇪🇬 Egito
🇮🇷 Irão
🇳🇿 Nova Zelândia

🇪🇸 Espanha
🇨🇻 Cabo Verde
🇸🇦 Arábia Saudita
🇺🇾 Uruguai

🇫🇷 França
🇸🇳 Senegal
🇮🇶 Iraque
🇳🇴 Noruega

🇦🇷 Argentina
🇩🇿 Argélia
🇦🇹 Áustria
🇯🇴 Jordânia

🇵🇹 Portugal
🇨🇩 RD Congo
🇺🇿 Uzbequistão
🇨🇴 Colômbia

🏴󠁧󠁢󠁥󠁮󠁧󠁿 Inglaterra
🇭🇷 Croácia
🇬🇭 Gana
🇵🇦 Panamá

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