Numa altura em que o país volta a viver o inferno dos grandes incêndios, principalmente as regiões norte e centro, decorre uma experiência no Minho que combina tecnologia de baixo custo com uma prática tão antiga quanto a própria ocupação do território: o pastoreio.
Na Paisagem Protegida do Corno de Bico, em Paredes de Coura, um produtor local gere um rebanho de 50 cabras equipadas com dispositivos GPS, numa área de cinco hectares, integrado num projeto piloto desenvolvido Green Gap com apoio da Câmara Municipal, que sugere que o projeto seja replicado noutros concelhos.
Este projeto-piloto arrancou há três anos com apenas 14 cabras, numa iniciativa coordenada pelo Green Gap, uma organização dedicada à gestão do território, que resolveu aderir ao pastoreio preventivo como resposta à acumulação de vegetação que resulta do abandono progressivo dos terrenos no Alto Minho. As cabras alimentam-se de espécies arbustivas como o tojo, pouco apetecível para outros animais, limpando o terreno de forma natural e reduzindo o material combustível que alimenta os incêndios. Ao mesmo tempo, esta técnica não exige o recurso a maquinaria pesada nem perturba o ecossistema, permitindo resultados eficazes onde a maquinaria não conseguiria aceder ou trabalhar de forma eficaz.
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O que distingue este projeto é a sua componente tecnológica, uma vez que cada cabra está equipada com um dispositivo GPS que permite monitorizar, em tempo real, o comportamento do rebanho. Se os animais estão a pastar, a descansar ou a fugir, o que pode indicar a aproximação de uma alcateia de lobos, espécie que está presente nas redondezas da área de pastoreio.
Essa capacidade de resposta rápida é tanto mais importante quanto as infraestruturas de segurança do rebanho, que incluem uma rede electrificada amovível de dois hectares, complementada por estábulos construídos com o reaproveitamento de antigas estruturas de estufas.

Para além da vertente ambiental, o projeto tem uma dimensão social, que os seus promotores consideram indissociável do seu valor. O abandono do pastoreio nas zonas de serra e monte é uma das principais causas da forte acumulação de vegetação, que elevou bastante o risco de incêndio nas últimas décadas. Recuperar estas práticas pode contribuir, simultaneamente, para fixar população nestes territórios que vão perdendo habitantes e para revitalizar a atividade pastoril como uma opção económica viável.
A Câmara Municipal de Paredes de Coura acompanha e monitoriza o projeto através do seu gabinete técnico, e acredita que a experiência poderá servir de modelo para outros territórios com características semelhantes, já que uma das grandes dificuldades atuais é a adaptação da gestão do território ao fenómeno das alterações climáticas.



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