O número de portugueses e lusodescendentes vítimas dos sismos na Venezuela foi sendo atualizado, de forma dramática, ao longo dos últimos dias. Nas primeiras horas após a tragédia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros garantia não haver registo de vítimas portuguesas, ainda que o secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, admitisse à RTP Antena 1 que, sendo a comunidade portuguesa numerosa na Venezuela, a probabilidade de existirem vítimas era alta. Pouco depois, esse número subiu para seis mortos confirmados com ligação a Portugal, incluindo dois portugueses e quatro lusodescendentes, com 56 lusodescendentes ainda dados como desaparecidos.

Na sexta-feira, dia 26, o secretário de Estado das Comunidades anunciou que o número tinha subido para 28 mortos entre portugueses e lusodescendentes. Horas mais tarde, ao longo da tarde do mesmo dia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros atualizou sucessivamente o balanço para 36 e depois para 41 mortos, o número mais recente confirmado oficialmente. Em paralelo, o mesmo balanço aponta para 87 portugueses ou lusodescendentes ainda desaparecidos ou incontactáveis, dos quais 51 homens e 36 mulheres.
A Madeira é a região de origem da maior parte da comunidade de cidadãos portugueses residentes na Venezuela, e o presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, confirmou a existência de pelo menos duas vítimas “com ligação à Madeira”. As regiões autónomas dos Açores e da Madeira vão enviar uma força conjunta para o terreno, incluindo socorristas, bombeiros e médicos.
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O Governo português decidiu enviar uma força operacional de proteção civil, com cerca de 60 elementos, que ficará instalada na localidade de Catia La Mar, em La Guaira, uma das zonas de maior concentração de portugueses e lusodescendentes e uma das mais destruídas pelos sismos.
O Presidente da República, António José Seguro, que se encontra nos Estados Unidos a acompanhar o Mundial de futebol, reuniu-se com a comunidade portuguesa na Florida, incluindo alguns luso-venezuelanos, a quem manifestou pesar pelas vítimas: “Que encontrem todos vós, e sobretudo aqueles que vivem ainda momentos de angústia, e em particular aqueles que vivem momentos de perda, força e coragem para enfrentar esta tragédia.“. Seguro pediu ainda um minuto de silêncio pelas vítimas.
A Venezuela está situada numa zona de intensa atividade sísmica, na fronteira entre a Placa do Caribe e a Placa Sul-Americana. Um dos dois sismos é apontado como o mais forte a atingir o país desde 1900, ano em que um terramoto de magnitude 7,7 atingiu a costa venezuelana, no episódio conhecido como o terramoto de San Narciso.



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