Na campanha eleitoral para as autárquicas, Pedro Duarte definiu a VCI como um “cancro na cidade“. Prometeu implementar no início deste ano, um sistema de portagens para quem usa a VCI enquanto meio de ligação entre Norte e Sul ou Sul e Norte. Não referiu o valor da portagem, mas que devia ser “um real incentivo” para os pesados mudarem para a CREP. Se ao fim de seis meses se concluísse que a medida não era suficiente, admitia avançar para outra solução: portajar automóveis ligeiros ou, “numa fase limite“, qualquer veículo que entrasse na cidade.
Defendeu ainda transportes públicos gratuitos para todos os portuenses, financiados pela Taxa Turística, com impacto esperado na redução do uso do automóvel, e com o próprio Pedro Duarte a comprometer-se a fazer 10% da sua mobilidade pessoal em transporte público.

A coligação liderada por Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL) venceu as eleições, mas o fim das portagens na CREP, a partir de 1 de janeiro de 2026, acabou por não acontecer e foi o PS a propor a medida no Parlamento, com uma alteração ao Orçamento do Estado para 2026, para isentar os veículos pesados de portagens na CREP durante todo o dia. Curiosamente, a proposta foi aprovada, mas PSD e CDS-PP votaram contra e a IL absteve-se. A isenção de portagens na CREP entrou em vigor em finais de fevereiro.
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Ontem, no final da reunião do Conselho de Ministros, Leitão Amaro (ministro da Presidência), anunciou a proibição da circulação de camiões na VCI, entre as 7 e as 21 horas, nos dias úteis, como forma de tentar aliviar o trânsito nesta artéria bastante congestionada da cidade. A previsão é que a medida entre em vigor em a meio do mês de setembro.
Não há garantias que esta medida possa melhorar a circulação automóvel, nem como o processo de controle e fiscalização vai funcionar, uma vez que a travessia do Douro implica a passagem pela VCI, tanto pela ponte da Arrábida, como pela Ponte do Freixo. A única alternativa será a travessia pela A41 em Lever, uma ponte que fica a cerca de 25 km do centro do Porto.
A CDU já se manifestou contra esta medida que classifica de “propaganda e decisões por cima da cidade”, considerando, em comunicado divulgada hoje, que “A medida é positiva no seu princípio, se dirigida ao tráfego pesado de atravessamento e acompanhada do desvio para a CREP/A41, mas exige regras claras, fiscalização adequada e a salvaguarda das situações de abastecimento local, cargas e descargas e serviços essenciais“, e exige que a autarquia explique como vai ser feita a fiscalização e que estudos levaram a esta decisão?
Pedro Duarte já tinha anunciado outra solução que, acredita, poderá “libertar muito do trânsito” da VCI, que consiste num túnel entre a Ponte da Arrábida e a Avenida AEP para aliviar o Nó de Francos, cuja entrada em funcionamento está prevista para 1 de janeiro de 2027.
Além disso, existe a intenção de construir uma nova circular externa à cidade, a VCE, solução que já foi muito criticada por vários especialistas em mobilidade, uma vez que vários estudos indicam que, a construção de novas vias em torno das cidades, faz aumentar a utilização do automóvel e acaba por ter o efeito contrário ao desejado.
O 41N contactou a Câmara do Porto, no início de junho, para obter esclarecimentos sobre esta questão e sobre a circulação de camiões na VCI, tendo a autarquia referido apenas que “tanto a restrição da circulação de veículos pesados na VCI como o projeto da VCE continuam a ser objeto de trabalho e articulação com as entidades competentes“, sem adiantar mais pormenores.



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