A iminência de um leilão do Estádio do Bessa e do Complexo Desportivo do Boavista, que termina no dia 20 de maio, levou o clube a encontrar uma solução de recurso para travar a alienação do seu principal ativo.

O estádio, edifício da residência para atletas, complexo desportivo, campo de treino e de ténis, terreno, lojas e apartamentos, estão à venda no site leiloeira LEILOSOC Worldwide, por um valor-base de cerca de 39 milhões de euros.
Depois do Tribunal Judicial da Comarca do Porto ter rejeitado um pedido de impugnação apresentado pela direção axadrezada, a estrutura, liderada por Rui Garrido Pereira, alcançou um entendimento com o principal credor do clube, a multinacional espanhola Sacyr, para a aquisição do crédito que detinha sobre o Boavista no processo de insolvência.
Num comunicado oficial emitido pelo clube, foi confirmado que a Sacyr, que assumia a posição de maior credora, aceitou o negócio, permitindo ao Boavista “requerer a anulação do leilão do património”.
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O acordo pode, segundo a Direção, criar “condições para assegurar a estabilidade, preservar o património e avançar com o plano de recuperação”, depois das dívidas acumuladas pelo clube terem ultrapassado os 150 milhões de euros.
Gérard Lopez: o polémico dono do Boavista
O acionista maioritária da SAD do Boavista é o polémico empresário hispano-luxemburguês, Gérard Lopez. O investidor, que já passou pela presidência da equipa de Fórmula 1 Lotus e foi proprietário do Bordéus, entrou no universo “axadrezado” em outubro de 2020.
Num artigo de Philippe Auclair, publicado no The Guardian a 7 de agosto de 2025, Gérard Lopez é acusado de ter comprado o Bordeaux, Boavista, Lille, Mouscron, e a Lotus (F1) e de os ter liquidado todos. “Um verdadeiro destruidor de clubes”, é como é apelidado num artigo no Reddit.
Recentemente, a justiça francesa condenou Gérard Lopez a dez meses de prisão (com pena suspensa) e ao pagamento de uma multa de 45.000 euros por cumplicidade no exercício ilegal de profissão de um agente desportivo sem licença válida, bem como pelo facto de o empresário luxemburguês não ter declarado a contratação de um antigo olheiro do Lille.
Apesar da polémica e condenação, o empresário terá evitado, através de donativos e do depósito de verbas, o encerramento imediato da atividade e das modalidades do Boavista. A administradora de insolvência chegou a afastar a direção de Rui Garrido Pereira, mas Lopez terá assegurado os fundos necessários para manter o clube de portas abertas.
Câmara do Porto não interfere no processo
A Câmara Municipal do Porto, por seu turno, já deixou claro que não vai interferir no processo, recusando-se a adquirir o imóvel ou a tentar travar o leilão, remetendo a resolução da crise para os órgãos do clube.
Do lado dos adeptos, a claque “Panteras Negras” também já recorreu aos tribunais para tentar suspender o leilão e declarar a nulidade do processo de insolvência, enquanto a direção do clube e os seus parceiros estratégicos tentam agora ganhar fôlego para reerguer o histórico emblema português.
O leilão do património do clube, onde se inclui o Estádio do Bessa, decorre até ao próximo dia 20 de maio. A decisão sobre a suspensão total depende da apresentação formal do acordo e das garantias jurídicas resultantes do entendimento alcançado entre o clube e a Sacyr.
| Consultar documentação: Leilão na LEILOSOC Worldwide: https://leilosoc.com/auction/39195-estadio-do-bessa-seculo-xxi-boavista-porto/?process=63806 Artigo no The Guardian https://www.theguardian.com/football/2025/aug/07/how-boavista-became-the-latest-club-to-sink-into-crisis-under-gerard-lopez Artigo no Reddit: https://www.reddit.com/r/fulbo/comments/1mldzde/g%C3%A9rard_l%C3%B3pez_quebrador_serial_de_clubes_compr%C3%B3_a/?tl=pt-br |



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