Investimento árabe? Teleférico de Gaia: 80 a 90 milhões de euros de investimento privado e concurso público até agosto

Luís Filipe Menezes aposta no teleférico como novo modelo de mobilidade, com o objetivo de ligar periferias. O novo teleférico vai ligar Canidelo ao Arrábida Shopping.

Telefericos em Vila Nova de Gaia
Teleferico em Vila Nova de Gaia (foto: 41N)

A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia anunciou esta semana, a construção de um novo teleférico público entre a praia das Pedras Amarelas, em Canidelo, e a futura estação de metro da Arrábida, com integração no sistema Andante. O investimento, estimado entre os 80 e 90 milhões de euros, será integralmente privado, num modelo de concessão sem custos para a autarquia, segundo informação da Câmara Municipal.

O projeto prevê uma linha de teleférico com seis estações, entre a praia das Pedras Amarelas, praia de Lavadores, Douro Marina, Segundo Cais da Afurada, Jardins da Arrábida e Arrábida Shopping, onde haverá correspondência directa com a futura estação de metro Arrábida, na Linha Rubi do Metro do Porto (Casa da Música – Santo Ovídio), actualmente em construção. Para receber a infraestrutura, o actual nó rodoviário nos Jardins da Arrábida/Chãs será alvo de obras de requalificação.

O anúncio foi feito pelo presidente da câmara, Luís Filipe Menezes, através de um vídeo partilhado nas redes sociais no início desta semana. O autarca prometeu que o projecto será apresentado publicamente “esta semana” e que o concurso público será lançado até agosto de 2026.

Menezes diz que Paris é o exemplo, onde este tipo de transporte começou a ser implementado e Vila Nova de Gaia decidiu replicar, mas não foram apresentados, até ao momento, quaisquer estudos de viabilidade técnica, ambiental ou económica do projeto, nem de impacto ambiental, paisagístico, de procura de passageiros, análise de custo-benefício para o erário público ou parecer da Autoridade Nacional de Aviação Civil sobre a infraestrutura aérea implícita.

O projeto apresentado passa na zona da Reserva Natural do Estuário do Douro, uma área protegida.

O investimento da Câmara Municipal, segundo Menezes, é zero euros. O modelo é de concepção, construção e exploração, financiado por quilómetro e por número de utentes que o utilizem, numa lógica de mercado. Questionado sobre os custos, o autarca estimou que o investimento privado “andará à volta dos 80, 90 milhões de euros”.

Menezes confirmou que o projecto já está “negociado com o Estado e com a autoridade metropolitana de transportes – os Transportes Metropolitanos do Porto – a sua introdução no sistema metropolitano de transportes, com o Andante”. Esclareceu ainda que, embora a Câmara tivesse capacidade para construir e explorar o teleférico, sem precisar de qualquer crédito, nem de se endividar, o que custaria entre dois e três milhões de euros por ano, “a contratação pública em Portugal é muito limitativa” em termos de limite de investimento, o que levou à opção pelo modelo de concessão privada.

Teleféricos das arábias?

A empresa ou consórcio privado, que ficará com a concessão ainda não foi divulgado publicamente e será determinado pelo concurso a lançar até agosto. Mas, em maio deste ano, o 41N noticiou que a Câmara de Gaia assinou em janeiro um protocolo de cooperação com a Província Oriental da Arábia Saudita, com o objetivo de “atrair investimento” para a construção de uma “nova cidade” de 300 hectares em Gaia e um parque de entretenimento urbano com outros oito hectares.

A parceria com os sauditas abrangia também a àrea dos transportes e a Câmara de Gaia abria portas à participação de empresas e autoridades da Arábia Saudita no desenvolvimento de “novos sistemas de transporte”, baseado em teleféricos urbanos e parques de interfaces rodoviários.

Uma nota emitida pela autarquia em janeiro, referia que este protocolo tinha por objetivo promover parcerias entre os setores público e privado e reforçar a mobilidade urbana, a inovação e a transformação digital nos serviços municipais.

Protocolo de Cooperação com a Eastern Province Municipality do Reino da Arábia Saudita CMVNG
Protocolo de Cooperação com a Eastern Province Municipality do Reino da Arábia Saudita (foto: CM Vila Nova de Gaia)

O novo meio de transporte terá uma capacidade de até 15 mil pessoas por hora, em cabines de 12 a 14 lugares, com lugares específicos para pessoas com mobilidade reduzida, cadeiras de rodas e bicicletas.

Menezes estima que cerca de 40 mil pessoas beneficiem da nova ligação, podendo chegar ao metro em menos de dez minutos. O autarca projecta três tipos de utilizadores para este teleférico, nomeadamente, os moradores de zonas com dificuldades de mobilidade (Crestuma, Lever, Olival, Sandim, Pedroso Norte e Oliveira do Douro Sul), com uma estação intermédia prevista nos Arcos de Sardão, os utilizadores das praias da frente costeira de Gaia e os turistas, numa componente de promoção da região.

Embora os custos financeiros da empreitada não tenham sido adiantados em detalhe, o autarca revelou que o projecto será formalmente apresentado esta semana, estando o lançamento do concurso público previsto até ao mês de agosto de 2026.

O projecto do novo teleférico de Gaia não estava explicitado no programa eleitoral do então candidato autárquico, que referia genericamente o estudo de “diferentes sistemas de mobilidade pedonal vertical” para “vencer o relevo com inteligência”. O projecto concreto emergiu na cerimónia de tomada de posse, em novembro de 2025, e ganhou forma pública apenas nesta semana.

Novo Teleferico de Gaia Canidelo Arrabida
Novo Teleferico de Gaia (imagem: CM Vila Nova de Gaia)

O autarca apontou para um prazo de um ano e meio a dois anos após o lançamento do concurso, para a conclusão daobra, o que situaria a inauguração entre o final de 2027 e meados de 2028. No entanto, esse prazo pressupõe que o concurso seja lançado até agosto, que os estudos prévios e as autorizações necessárias, incluindo o licenciamento urbanístico e as avaliações ambientais, sejam concluídos sem atrasos, e que a empreitada corra dentro do previsto.

A autarquia anunciou que o serviço será gratuito para todos os cidadãos da freguesia de Santa Marinha com mais de 65 anos, e que a autoridade metropolitana está a negociar com o concessionário a integração no Andante para o público em geral.

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