Valongo continua a ser o único município do primeiro anel metropolitano do Porto, sem ligação à rede de metro da invicta. O município apresentou em fevereiro dois traçados concretos à Metro do Porto. Os estudos estão em curso. Mas o caminho até à primeira estação ainda é longo.

Quem vive em Ermesinde, Alfena ou na cidade de Valongo sabe bem o que significa não ter uma estação de metro. Significa depender do carro para quase tudo, e significa uma rede de autocarros com frequências insuficientes, que não tornam as viagens práticas e eficientes. Significa ver os concelhos vizinhos – Gondomar, Maia, Matosinhos e Gaia – todos ligados à rede de metro, enquanto Valongo continua de fora.
Com mais de 100 mil habitantes, Valongo procura resolver esta anomalia que o autarca Paulo Esteves Ferreira (PS) considera justa e prioritária.
Também vais gostar de ler:
Duas propostas em cima da mesa
Em fevereiro, a Câmara de Valongo apresentou ao presidente da Metro do Porto, Emídio Gomes, os resultados preliminares de um estudo técnico encomendado pelo município, que prevê dois traçados específicos, ancorados em infraestruturas já existentes ou projetadas, o que os torna potencialmente mais baratos e viáveis.
A primeira proposta é uma ligação de Ermesinde e Alfena ao Hospital de São João (na Asprela) e ao centro da Maia, através de Águas Santas, aproveitando a segunda linha já projetada para aquele concelho. O prolongamento seria de apenas 2,9 quilómetros, com potencial para servir cerca de 60 mil utilizadores, um número que, segundo os dados do município, tornaria a operação economicamente sustentável.
A segunda proposta é mais ambiciosa: uma ligação de aproximadamente 5 quilómetros entre o centro de Valongo e a Linha F do Metro, a partir de Baguim do Monte, em Gondomar. Esta linha serviria diretamente a sede do concelho, onde vive uma parte significativa da população.
Da parte da Metro do Porto, Emídio Gomes comprometeu-se a aprofundar estas soluções através de um estudo de viabilidade operacional e financeira. Em abril, o processo confirmou-se como estando numa “fase de viabilidade técnica e financeira”, segundo declarações do autarca ao Jornal de Notícias.
Uma questão de justiça – e matemática
Num município onde mais de 70% da população usa o carro como principal meio de transporte, e onde cerca de 15 a 20% depende de autocarro ou comboio para as deslocações diárias, a ausência de metro tem um custo real na qualidade de vida das pessoas.
O autarca de Valongo tem também um problema financeiro concreto: Valongo tem apenas 5,4% de participação na STCP – um valor muito abaixo dos 53,69% do Porto, dos 12,04% de Gaia ou dos 11,98% de Matosinhos. Com o menor orçamento municipal do Grande Porto (cerca de 120 milhões de euros em 2026).
O estudo técnico encomendado pela autarquia foi elaborado por Álvaro Costa, professor na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e especialista em transportes, o que garante credibilidade académica à proposta e reforça o argumento junto da Mtero do Porto e do Governo. A questão é se será suficiente para avançar com a ligação tão desejada.
O que falta para o metro chegar
O processo está ainda numa fase preliminar – há estudos em curso, reuniões, abertura da Metro do Porto para analisar as propostas. Mas entre um estudo de viabilidade e uma nova estação inaugurada existe um percurso que, em Portugal, costuma demorar uma ou duas décadas.
O objetivo da autarquia é que as novas ligações sejam integradas no próximo ciclo de investimentos da rede de metro, o que depende de decisão governamental e de financiamento da União Europeia. A reunião de Esteves Ferreira com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, em setembro de 2025, foi um passo nesse sentido – tendo ficado acordado que o município submeteria um projeto formal à Metro do Porto, o que aconteceu em fevereiro.
Agora espera-se o estudo de viabilidade da Metro do Porto. Depois, se tudo correr bem, a inclusão no plano de expansão. E depois o financiamento e, finalmente, a construção.
Para os habitantes de Valongo, o horizonte ainda é incerto. Mas pela primeira vez, a luz do metro parece surgir no horizonte, com o compromisso formal da Metro do Porto em analisar as soluções apresentadas.
Resta saber até quando vão os habitantes de Valongo sentir-se discriminados, com a frustração de estar tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe do centro do Porto.




Comentários