A crise do Médio Oriente continua a abalar o mundo com consequências devastadoras ao nível económico e humanitário após os ataques coordenados contra o Irão protagonizados pelos Estados Unidos e Israel a 28 de fevereiro deste ano.
A guerra já provocou milhares de vítimas diretas, mas são as consequências silenciosas que ameaçam destruir economias inteiras e condenar milhões de pessoas à pobreza. O impacto humanitário e económico desta crise é devastador e os números são cada vez mais impressionantes.
Irão: 2 Milhões de Desempregados e uma Economia despedaçada
O Irão é, neste momento, o país mais afetado pela crise. A economia iraniana, fragilizada por décadas de sanções e corrupção, atingiu o seu ponto de rutura. De acordo com o ministro adjunto do Trabalho do Irão, Gholamhossein Mohammadi, dois milhões de pessoas perderam o emprego devido ao conflito. O cenário é descrito como catastrófico, com mais de 23.000 fábricas e empresas afetadas pelos bombardeamentos.
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A inflação anual no Irão atingiu uns impressionantes 72% em março, com reflexos muito significativos nos bens essenciais. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) prevê que mais 4,1 milhões de pessoas possam cair na pobreza devido ao conflito.
Tragédia no Mar: 20.000 Marinheiros Presos no Golfo Pérsico
Enquanto a atenção mundial está concentrada nos preços do petróleo, uma crise humanitária silenciosa está a acontecer nas águas do Golfo Pérsico. Perto de 20.000 marinheiros estão retidos em cerca de 2.000 navios há semanas, sem perspetivas para o regresso a casa. Além disso, 2.400 marinheiros estão presos há oito semanas em 105 navios-tanque e cargueiros perto do Egito, com os mantimentos a escassear e escassez de água potável. Ninguém sabe quando serão libertados.
Organizações internacionais estão a tentar evacuar os navios retidos, mas o processo pode demorar três semanas, se realmente chegar a acontecer.
Para agravar a situação, o Irão deixou claro que não vai permitir a passagem livre pelo Estreito de Ormuz, a não ser que os proprietários dos navios paguem 2 milhões de dólares por embarcação para atravessar.
O Choque Energético Global: A Maior Ameaça da História
A Agência Internacional de Energia (IEA) garante que estamos perante “a maior ameça à segurança energética da história”. O diretor-executivo da IEA, Fatih Birol, alertou que a produção de petróleo já caiu 13 milhões de barris por dia.
O Banco Mundial prevê um cenário particularmente sombrio: os preços da energia devem disparar 24% em 2026, atingindo o nível mais alto desde a invasão russa da Ucrânia em 2022. Basta recordar que, pelo Estreito de Ormuz, passava cerca de 35% do comércio marítimo de petróleo bruto mundial.
Para Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial, não há dúvidas. Os mais pobres serão os mais atingidos pela crise. “As pessoas mais pobres, que gastam a maior parte do seu rendimento em alimentos e combustíveis, serão as mais afetadas, tal como as economias em desenvolvimento já a braços com pesadas cargas da dívida”, acrescentou em declarações à imprensa.
O Impacto Alimentar Global
Não há grandes certezas em relação ao impacto da crise na segurança alimentar global, mas o Banco Mundial já referiu que prevê que o aumento dos preços da energia e combustíveis tenham um efeito em cascata nos preços dos fertilizantes, que por sua vez afetará a produção agrícola em todo o mundo.
Os países em desenvolvimento serão os mais afetados por esta crise alimentar induzida pela guerra.
Neste momento, a incerteza é grande nos mercados e em relação às consequência que a crise do Médio Oriente poderá ter no futuro, mas a hipótese de uma recessão à escala mundial é cada vez mais uma certeza, à medida que o conflito se vai arrastando, sem fim à vista.



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