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Livraria Lello no Porto.

A livraria Lello, que já estava classificada como monumento de interesse público desde 2013, viu agora o seu estatuto reforçado com o título de monumento nacional. O imóvel localizado na Rua das Carmelitas, n.º 144, junto à torre dos Clérigos, tornou-se nos últimos anos, um dos principais pontos turísticos da cidade do Porto.

A classificação da Livraria Lello como monumento nacional, constitui a classificação mais elevada ao abrigo da legislação de proteção do património cultural e foi confirmada pelo Decreto n.º 11/2026, aprovado em Conselho de Ministros em finais de janeiro, publicada em Diário da República no dia 27 de fevereiro e tornada pública pela autarquia através do Edital n.º NUD/254085/2026/CMP de 14 de abril de 2026.

O decreto do governo determina ainda a manutenção da zona especial de proteção (ZEP) anteriormente fixada pela portaria de 2013, não havendo, portanto, alteração à área envolvente sujeita a condicionamentos.

O Decreto salienta o valor arquitetónico e artístico da livraria, descrita como “um dos mais importantes edifícios da arquitetura eclética portuguesa, integrando elementos decorativos sem paralelo no País”. O projeto, da autoria do engenheiro Xavier Esteves, inclui uma fachada neogótica, vitral revivalista e uma escadaria em madeira sobre uma estrutura de betão armado.

O diploma refere ainda “o excelente estado de conservação, a autenticidade e exemplaridade da estrutura e da decoração, e a merecida fama internacional de que desfruta”.

Enquadramento histórico e jurídico

A Livraria Lello foi inaugurada em 1906, sucedendo à Livraria Chardron, fundada no mesmo espaço em 1869. O edifício é frequentemente citado em guias turísticos internacionais como uma das livrarias mais belas do mundo.

Do ponto de vista legal, a classificação da livraria como monumento nacional implica um maior nível de proteção e um maior escrutínio por parte das entidades de património para qualquer intervenção no imóvel ou na sua zona envolvente. Contudo, uma vez que a ZEP se mantém inalterada, as restrições urbanísticas para terceiros na área circundante são as mesmas que vigoravam desde 2013.

A livraria mantém a sua atividade comercial normal, mas qualquer obra de conservação, restauro ou alteração passa a depender de um parecer vinculativo da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) e, em última instância, do governo.

A elevada afluência de turistas à livraria levou os proprietários a adotar medidas para restringir e controlar os acessos, através de ingressos que podem ser adquiridos online. O valor pago pelo ingresso pode ser descontado na aquisição de livros no interior.

Estima-se que a Lello fature cerca de 12,8 milhões de euros por ano, essencialmente através das entradas dos visitantes. No início de 2025 a média diária de visitantes era de 3.500, chegando a vender 5.000 livros por dia.

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