BCE sobe juros pela primeira vez em quase três anos impulsionado pela guerra no Médio Oriente

Em conferência de imprensa realizada hoje em Frankfurt, Christine Lagarde anunciou uma subída das taxas de juro, confirmando assim as expetativas.

Christine Lagarde BCE
Christine Lagarde hoje na conferência de imprensa do BCE.

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou esta quinta-feira, uma subida das taxas de juro diretoras em 25 pontos base, numa inversão de política monetária que não acontecia desde setembro de 2023. Esta decisão do BCE faz com que as taxas passem a situar-se em 2,25% (nos depósitos), 2,40% (nas operações principais de refinanciamento) e 2,65% (na cedência de liquidez), com efeitos já a partir de 17 de junho.

O anúncio foi feito por Christine Lagarde em conferência de imprensa realizada em Frankfurt, e a justificação avançada para esta decisão são os efeitos da guerra no Médio Oriente, que está a gerar pressões inflacionistas, além da incerteza atual e nas projeções de inflação apresentadas pela equipa do Eurosistema. A decisão, segundo a presidente do BCE, foi tomada por unanimidade, sem outras alternativas analisadas.

O choque de energia verificado desde o início de março, e que, ao contrário do que era previsto pelos analistas geopolíticos, se está a prolongar mais do que o esperado, está a ter impactos na economia através de custos diretos e indiretos.

O contexto económico atual é particularmente delicado: a economia da zona euro contraiu 0,2% no primeiro trimestre deste ano, com alguns economistas a alertar para um período de estagflação, com fraco crescimento, inflação em alta e confiança em queda, sendo que as previsões do BCE apontam para um crescimento do PIB de apenas 0,9% este ano.

Quanto à inflação, as projeções do Eurosistema apontam para uma média de 3% em 2026, descendo para 2,3% em 2027 e regressando ao objetivo dos 2% apenas em 2028.

O Banco Central sublinhou que vai acompanhar de perto a evolução da situação, mantendo uma abordagem que está dependente dos dados em cada reunião. Além deste aumento, os economistas esperam, pelo menos, mais um agravamento da política monetária até ao final do ano.

A conferência de imprensa de Christine Lagarde pode ser vista aqui:

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