Greve Geral: Entre a luta massiva e a desvalorização de Montenegro

A greve geral de 3 de junho ficou marcada por uma forte adesão em múltiplos setores e por violentos confrontos com a polícia na cidade de Lisboa.

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Manifestação da Greve Geral de 3 de junho em Lisboa em frente ao Parlamento (foto: CGTP IG)

A Greve Geral, motivada pela contestação à nova proposta de revisão da legislação laboral, que está em debate na Assembleia da República, causou o encerramento de várias escolas e tribunais, o cancelamento de centenas de voos e a suspensão quase total dos transportes públicos urbanos e ferroviários.

A leitura sobre o impacto desta greve geral dividiu profundamente os sindicatos e as autoridades governamentais e empresariais, com os sindicatos a falar em moblização massiva e o Governo e associações patronais a desvalorizar o protesto, a sua eficácia e mobilização.

Por um lado, a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) reivindicou uma jornada de luta massiva e histórica, apontando para uma paralisação “quase total” na administração pública e em setores estratégicos.

De acordo com os relatórios das estruturas sindicais, a adesão atingiu os 100% no turno da noite em várias unidades hospitalares do Serviço Nacional de Saúde (SNS), forçando o adiamento em larga escala de consultas e cirurgias programadas. No setor da educação, a Federação Nacional dos Professores (FENPROF) reportou o encerramento generalizado de centenas de escolas básicas e secundárias em todo o país, devido à ausência em bloco do pessoal docente e não docente.

Os sindicatos do setor dos transportes sublinharam ainda o bloqueio total das linhas de metropolitano na capital e a supressão, quase integral, das ligações ferroviárias operadas pela CP.

No setor privado, os sindicatos destacaram também paragens totais de produção em grandes unidades industriais e alimentares nacionais, como a Sovena, a Bimbo, a Cerealto e a Cimpor.

Por outro lado, o Governo e as confederações empresariais apresentam uma leitura substancialmente diferente, desvalorizando o alcance global do protesto e acusando os sindicatos de empolgarem as métricas. O Executivo salienta que o funcionamento do país não colapsou e que a esmagadora maioria dos cidadãos conseguiu exercer a sua atividade profissional normalmente.

Fontes ministeriais detalham que, embora tenham existido perturbações visíveis nos transportes urbanos e em balcões de atendimento público, os serviços mínimos decretados por lei foram escrupulosamente cumpridos.

O próprio Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, desvalorizou publicamente os efeitos da paralisação, afirmando que a contestação não trouxe novidades nem soluções para o debate legislativo.

Na mesma linha, os representantes da indústria contrariaram frontalmente os sindicatos, avançando que o impacto no setor fabril e exportador foi puramente residual.

Os dados das associações patronais apontam para taxas de adesão que oscilam entre uns escassos 2% e 14%, com infraestruturas logísticas fundamentais, como o Porto de Sines, a manter as suas operações dentro da normalidade.

Confrontos em Lisboa com 6 detenções

Ao final da tarde, a manifestação que percorreu as ruas de Lisboa, degenerou em tumultos graves junto à escadaria da Assembleia da República, com confrontos entre alguns manifestantes e a polícia.

O arremesso de pedras, garrafas e petardos contra as forças de segurança, a par do incêndio de mobiliário urbano nas artérias adjacentes, levou à intervenção da Polícia de Segurança Pública. A carga policial para dispersar a multidão, resultou em seis detenções e causou ferimentos ligeiros em vários manifestantes e agentes, tendo a situação estabilizado apenas ao início da noite, com o reforço do policiamento de choque em todo o perímetro do parlamento.

Adesão no Porto provocou caos no trânsito

No Porto, a greve geral traduziu-se numa paralisação quase total dos transportes públicos e no encerramento de dezenas de serviços municipais e estabelecimentos de ensino por todo o distrito.

A circulação do Metro do Porto e dos autocarros da STCP ficou gravemente comprometida logo nas primeiras horas da manhã, gerando longas filas de trânsito nos acessos à Ponte da Arrábida e à Ponte do Freixo devido ao recurso forçado ao transporte automóvel privado.

Os sindicatos reivindicaram uma adesão superior a 90% na recolha de lixo e na limpeza urbana da Invicta, bem como o fecho de várias secretarias e balcões de atendimento ao público. O protesto culminou numa concentração pacífica na Praça dos Poveiros, que juntou milhares de trabalhadores e decorreu sem incidentes.

A próxima paralisação está marcada para esta sexta-feira, dia 5 de junho, afetando diretamente o setor da educação.

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