
A ponte móvel que liga Leça da Palmeira a Matosinhos, sob o Porto de Leixões, vai encerrar ao trânsito a partir do dia 15 de junho no âmbito de uma obra de manutenção e beneficiação avaliada em 5,63 milhões de euros.
O encerramento abrage o trânsito automóvel e pedonal, por um período estimado de três meses (cerca de 90 dias), decisão que foi comunicada pela Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) através de cartas distribuídas aos moradores e comunicados públicos.
A intervenção insere-se numa empreitada de modernização com uma duração total de 14 meses. O concurso tinha sido lançado em maio de 2024 mas ficou deserto, tendo sido aberto novo concurso em setembro desse ano por 4,5 milhões de euros, destinados à empreitada principal, estando ainda incluídas a instalação de novas rótulas e os trabalhos de fiscalização.
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A obra acabou por ser adjudicada à empresa MONTACO – Tratamentos Anticorrosivos e Construção Civil, S.A., especializada em reabilitação de estruturas metálicas. A fiscalização da obra está a cargo da empresa Applus+ Serviços.
O investimento global ascende a 5,63 milhões de euros, dos quais 4,5 milhões são destinados à empreitada principal, com financiamento em 50% proveniente de fundos europeus, através do Programa para a Ação Climática e Sustentabilidade (PACS) no âmbito do Programa Sustentável 2030.
Os trabalhos vão contemplar a desmontagem e substituição de peças metálicas degradadas, a renovação do sistema de proteção anticorrosiva e a pintura de toda a estrutura, visando garantir a durabilidade, segurança e pleno funcionamento da ponte nas próximas décadas. Está ainda prevista a substituição das coberturas pedonais.
A ponte, com quase duas décadas de uso intensivo e exposição permanente às condições climáticas e à salinidade costeira, há algum tempo que dá sinais de desgaste e necessidade de obras de conservação.
As implicações das obras para peões e automobilistas
O encerramento da ponte móvel causa enormes transtornos, não só para quem a utiliza para fazer o percurso automóvel entre Leça e Matosinhos, mas também para as milhares de pessoas que a cruzam a pé ou de bicicleta, sendo uma passagem rápida de acesso à estação de metro do mercado de Matosinhos.
Além disso, o encerramento coincide com os meses de verão, junho, julho e agosto, altura em que se regista uma maior afluência de pessoas para aceder às praias da região, como a Praia de Leça da Palmeira ou a Praia de Matosinhos.
Com o encerramento da ponte, a única alternativa de travessia é a A28, o que complic a vida a quem atravessa o porto a pé ou de bicicleta.
Para os automobilistas, a A28 (IC1/Viaduto da Via Rápida) passa a ser a alternativa, apesar de ser uma via já muito congestionada, principalmente em horas de ponta, tornando a travessia bastante mais longa.
As alternativas previstas
Para minimizar o impacto, a APDL disponibilizará um serviço gratuito de autocarro para peões, ciclistas e utilizadores de trotinetes, assegurando a ligação entre as duas margens durante todo o período de obras.
O serviço funcionará 24 horas por dia, com as seguintes frequências:
Das 07h00 às 22h00 – autocarro a cada 15 minutos.
Das 22h00 às 07h00 – autocarro a cada 20 minutos.
O circuito será efetuado pelo interior do Porto de Leixões durante o dia e pelo exterior em horário noturno, procurando garantir maior eficiência e rapidez nas deslocações.
As paragens estarão localizadas em dois pontos fixos: junto ao acesso nascente da Ponte Móvel, na zona da antiga Rua Cardeal D. Américo, em Matosinhos, e em Leça da Palmeira, no Largo Dona Adelina Pinto de Oliveira.
A APDL disponibiliza ainda atualizações em tempo real através da APP da Ponte Móvel, desenvolvida para informar os utilizadores sobre o estado das obras e das ligações alternativas.
Uma ponte com mais de sessenta anos de ligação
A primeira ponte móvel no local foi aberta ao trânsito pedonal em 1959 e ao trânsito automóvel em 1961, no âmbito do Plano Geral de Ampliação de Leixões. A sua construção foi baseada num anteprojeto dos engenheiros Correia de Araújo e Campos Matos e executada pela empresa L. Dargent. A estrutura servia simultaneamente as necessidades do porto e da população local, tendo-se tornado num elemento central da mobilidade da região.
Com o crescimento do tráfego marítimo e a necessidade de permitir o acesso de navios porta-contentores à Doca n.º 4, a ponte original foi demolida em 2007 para dar lugar à estrutura atual.
A nova Ponte Móvel foi inaugurada a 30 de julho de 2007, com projeto do arquiteto João Motta Guedes e participação das empresas de engenharia Proman e JNA, e a construção a cargo da Mota-Engil. Com um vão basculante de 92 metros, um comprimento total de 330 metros e 27 metros de largura, a ponte móvel de Leça é considerada a quarta maior ponte basculante do mundo, atrás das suas congéneres de Barcelona, Valência e Miami.
O custo total da obra rondou os 14 milhões de euros, parcialmente financiados pela União Europeia. O design curvilíneo, inspirado na forma de uma onda, valeu-lhe vários prémios nacionais e internacionais. A ponte não é utilizada apenas por residentes: constitui também uma atração turística e um símbolo da integração do porto com a cidade. Desde a sua inauguração em 2007, a ponte já encerrou por diversas vezes para trabalhos de manutenção, nomeadamente em 2013, 2018, 2019 e 2021.
Fontes: APDL, Lusa, Observador, Correio da Manhã, leca-palmeira.com, Arquivo Municipal de Matosinhos, Wikipédia.



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