O PCP (Partido Comunista Português) apresentou esta quinta-feira uma pergunta escrita ao Governo, dirigida ao Ministro da Administração Interna, exigindo esclarecimentos sobre a realização da 2.ª Cimeira da “Remigração” (“Remigration Summit”), agendada para o próximo dia 27 de maio, na cidade do Porto.
Na pergunta parlamentar, a que o 41N teve acesso, o PCP descreve o evento como “uma mostra ligada à rede internacional de jovens que defende a deportação em massa de imigrantes e perfilha atitudes racistas, xenófobas e homofóbicas“. O PCP alerta ainda para a presença anunciada de “pessoas ligadas a grupos neonazis austríacos, belgas, americanos e italianos, entre outros, condenados por crimes de racismo, e xenofobia e homicídio“.
A preocupação do partido surge depois de, a 22 de janeiro de 2026, o 41N ter noticiado que o grupo nacionalista “Reconquista” preparava um novo encontro na região do Porto para o dia 30 de maio. O “RESUM26 – Remigration Summit” é anunciado em segredo, uma vez que a organização não divulga o local onde o encontro se vai realizar, fazendo-o apenas na véspera, enviando a informação aos participantes inscritos, como aconteceu na primeira edição.

A primeira edição do evento, realizou-se em 2025 na cidade da Maia, envolta em forte polémica. Inicialmente previsto para o Colégio Luso-Francês, no Porto, o encontro foi cancelado pela instituição de ensino após pressões da Associação de Pais, que se opôs à cedência do espaço a um grupo racista e ligado a ações criminosas. Poucas horas antes do início, o grupo “Reconquista” anunciou a mudança da Cimeira para o pavilhão desportivo do Maia Sport, em Pedras Rubras, onde dezenas de participantes estrangeiros participaram no encontro, que contou ainda com o apoio do deputado do Chega, Pedro Frazão, que enviou uma mensagem gravada.
Agora, o PCP quer respostas concretas do Governo, nomeadamente, qual a sua posição perante estes “eventos que incitam à violência“, colocando duas questões ao executivo:
- Qual a posição do Governo relativamente a estes “eventos” que incitam à violência, que escolhem Portugal para a realização desta 2.ª Edição de uma Cimeira e que assumem exprimir ideias contrárias a todos os princípios constitucionais que nos regem?
- Vão ser autorizados a entrar e permanecer em Portugal, indivíduos já condenados, expulsos ou impedidos de entrar noutros países?
Até ao momento, o Governo não se pronunciou publicamente sobre a realização do evento.
Condenados por racismo e expulsos de países: Quem são os extremistas que participam na cimeira?
Manuel Corchia (Suíça): Co-líder do grupo neonazi “Junge Tat” (Jovem Ação), tem acusações em curso, incluindo relacionadas com posse ilegal de armas durante protestos neo nazis.
Martin Sellener (Austria) – Já foi impedido de entrar nos Estados Unidos e no Reino Unido, além de ter sido expulso da Suíça em 2024
Joey Mannarino (Comentador, EUA) – Proibido de entrar no Reino Unido em 2026 para participar numa manifestação de extrema-direita em Londres. As autoridades alegaram que a sua presença “não seria propícia ao bem público”. Criou polémica ao escrever nas redes sociais que “nunca mais acreditaria numa vítima de violação” e que “deportar os parasitas que estão a violar o seu caminho através da América, Europa e Reino Unido”.
Lorenzo Caccialupi (Criador de conteúdo digital, Itália) – Difusor de teorias da conspiração e medo sobre imigração, com recurso a desinformação.
Lena Kotré (Política alemã, AfD) – Em agosto de 2025, a deputada do parlamento regional de Brandemburgo foi classificada como “extremista de direita confirmada” pelo Verfassungsschutz (serviço de informação alemão).
Lucy White (Ativista, UK) – Conhecida pelos seus comentário racistas. O próprio jornal The Guardian apelidou-a de “racista” e descreveu os seus discursos como “repreensíveis”.
Andrea Ballarati (Itália) – foi formalmente acusado de “incitar ao ódio e à discriminação racial” pelo Tribunal de Como. Se for condenado, poderá enfrentar uma pena de prisão até um ano e meio. Segundo o Ministério Público, promoveu ideias baseadas na superioridade racial e incitvo à hostilidade contra imigrantes.
Jean-Yves Le Galou (França) – Acusado de ser racista, islamofóbico, homofóbico e sexista.
Carlos H. Quero (Espanha): Deputado do Vox, partido de extrema direita espanhol.

Deviam ser detidos. Todos!