O Governo e a Câmara Municipal do Porto apresentaram há alguns dias o ambicioso projeto denominado “Distrito Económico e Empresarial do Porto“, que promete a requalificação urbana na zona industrial de Ramalde, e que prevê o “enterramento” da Avenida da Associação Empresarial de Portugal (Avenida AEP) ligando as suas duas margens.
Curiosamente, o projeto apresentado por Luís Montenegro e Pedro Duarte, é muito semelhante ao que foi apresentado pelo candidato Nuno Cardoso nas últimas eleições autárquicas, e que se designava “Zona Económica Especial do Parque Ramalde”, e também previa enterrar o trânsito automóvel na avenida que liga Ramalde (VCI) à Zona do Norte Shopping, criando um espaço pedonal em toda a extensão.

O plano da autarquia e do Governo ainda não é conhecido em pormenor, mas passa por uma reorganização urbana da atual Zona Industrial de Ramalde, dividida pela “muralha rodoviária” da Avenida AEP, transformando-a num polo moderno que pretende aliar a indústria existente no local com novas valências.
No anúncio do projeto, Pedro Duarte (Presidente da Câmara) referiu que a intenção é enterrar a atual avenida AEP “para podermos ligar as duas margens daquele polo industrial e criar um grande parque de habitação, espaços empresariais, serviços, espaço público para usufruto das comunidades, com espaços verdes e para a prática desportiva“.
Segundo o autarca e o primeiro ministro, o projeto deverá permitir a criação de até 35 mil novos postos de trabalho, essencialmente em empresas tecnológicas, e prevê ainda a construção de seis mil novas habitações. No entanto, quem está neste momento com dificuldades em conseguir alugar casa no Porto ou mesmo em comprar, não alimente muitas esperanças neste mega projeto, porque a autarquia já deixou claro que será habitação privada e destinada à classe média, a “custos controlados”, que como sabemos, são inacessíveis á maioria das pessoas. Já o projeto de Nuno Cardoso, prometia “habitação acessível para os portuenses”.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, traçou um paralelo entre esta nova Zona Económica Especial em Ramalde com o projeto “Parque Cidades do Tejo” em Lisboa, uma área de 4.500 hectares junto ao rio Tejo para o qual foi criada uma empresa pública, a “Parque Cidades do Tejo, S.A.”.
O projeto de Ramalde, sobre o qual se aguardam mais pormenores, foi anunciado em conjunto com a nova Via de Cintura Externa (VCE), uma nova via rodoviária que pretende desanuviar o tráfego automóvel na cidade do Porto que atualmente se encontra já bastante sobrecarregado, principalmente na VCI, mas não há grandes detalhes sobre o traçado final desta via que deverá ser construída numa zona densamente povoada.
Apesar do aparato e dimensão destas obras, não foram divulgadas datas concretas para o seu avanço nem o valor global do investimento ou esudos que suportem o sucesso dos objetivos traçados.

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