Edifício público impresso em 3D foi inaugurado em Perafita (Matosinhos) para apoiar a economia circular e formar desempregados e jovens em risco.

edificio impresso em 3D DR
Edificio impresso em 3D. DR

Foi inaugurado no Ecocentro de Perafita, no concelho de Matosinhos, o primeiro edifício público construído em Portugal com recurso a tecnologia de impressão 3D. O espaço, denominado ReCircular, destina-se a projetos de reciclagem e reutilização de resíduos, integrando ainda uma vertente social.

O espaço também vai promover formação para desempregados e jovens em risco, com a dinamização de workshops de costura, carpintaria e aproveitamento de desperdícios alimentares.

Edifício foi impresso em apenas cinco dias no ecocentro de Perafita.

A obra resulta de um concurso público promovido pela Câmara Municipal de Matosinhos e representou um investimento de 800 mil euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Foi desenvolvido pela startup portuguesa Havelar em apenas cinco dias, sem recurso a tijolos ou telhas tradicionais. A estrutura ocupa uma área de cerca de 600 m2 e acolhe um laboratório para dar nova vida a mobiliário, roupa e eletrodomésticos que depois serão entregues a famílias carenciadas e instituições do concelho.

O projeto de arquitetura e o acompanhamento científico da obra estiveram a cargo da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), que avaliará o comportamento do edifício impresso em 3D.

Fundada em 2023 em Vila do Conde, a Havelar utiliza soluções de impressão 3D em parceria com a fabricante dinamarquesa COBOD, empregando betão e materiais sustentáveis na construção. Após ter erguido em 2024 a primeira casa impressa em 3D do país, a empresa prevê faturar três milhões de euros este ano e 30 milhões em 2026, apostando nesta tecnologia como possível resposta à atual crise da habitação.

A tecnologia continua a ganhar terreno em Portugal

Além da Havelar, outras startups nacionais têm explorado a impressão 3D na construção civil. A Litehaus, fundada em 2024, garantiu 1,46 milhões de euros em financiamento para desenvolver uma plataforma tecnológica que permite construir habitações 30% mais baratas, 40% mais rápidas e 60% mais sustentáveis do que os métodos tradicionais. A empresa já assinou 17 contratos com clientes particulares e oito memorandos de entendimento com promotores imobiliários, representando um potencial de construção superior a 296 milhões de euros.