A Autoridade Tributária quer que a EDP pague 335 milhões de euros adicionais em impostos, mas a empresa discorda e recusa-se a pagar.

barragem

A venda de seis barragens pela EDP à francesa Engie, em 2020, por 2,2 mil milhões de euros, voltou ao centro das atenções após a Autoridade Tributária (AT) ter concluído no relatório de inspeção que a EDP terá de pagar 335 milhões de euros adicionais em impostos.

No ano passado o Ministério Público arquivou o inquérito-crime sobre a venda das barragens, mas deu instruções ao Fisco para avançar com a cobrança dos 335 milhões em impostos ligados ao negócio com a Engie.

Entretanto, a diretora-geral da AT, Helena Borges, referiu em janeiro no Parlamento que a liquidação deste montante avançaria até ao mês de junho.

Apesar da liquidação iminente, a EDP, liderada por Miguel Stilwell de Andrade, já anunciou que vai contestar a decisão em tribunal, garantindo que “não irá pagar” até haver uma decisão judicial. Este diferendo ocorre num momento em que a empresa regista lucros históricos.

O contexto financeiro

Contrariando as tensões com o Fisco, os resultados financeiros das empresas envolvidas ou relevantes para o caso estão em alta. A EDP obteve lucros recorde de 1.150 milhões de euros em 2025, uma subida de 44% face aos 801 milhões do ano anterior, impulsionada pela boa performance da sua subsidiária de renováveis.

A EDP Renováveis foi um dos principais motores deste crescimento, passando de um prejuízo de 556 milhões de euros em 2024 para um lucro de 216 milhões de euros em 2025.

Por sua vez a multinacional francesa Engie, também reportou um resultado líquido recorrente de 4,9 mil milhões de euros em 2025, situando-se acima das suas próprias projeções.

O Credit Suisse, banco suíço que assessorou a EDP nesta operação, registou um lucro líquido de 859 milhões de francos suíços no primeiro trimestre de 2025. No entanto, é importante notar que o Credit Suisse foi adquirido pelo UBS em 2023, tendo este registado um lucro de 6,45 mil milhões de francos suíços em 2025.