O conflito no Médio Oriente é apontado como o principal responsável pela subida da inflação, nomeadamente a subida dos preços dos combustíveis, e a subida do custo de vida pode não ficar por aqui.

A inflação portuguesa acelerou para 3,3% em abril, o valor mais elevado dos últimos dois anos, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE). Em março, a taxa homóloga tinha sido de 2,7%.
A subida é explicada sobretudo pelo aumento dos preços da energia (11,7% face a abril de 2024) e dos alimentos não transformados (7,4%). A inflação subjacente – que não tem em conta estes componentes mais voláteis – fixou-se nos 2,2%, acima dos 2% de março.
O conflito no Médio Oriente é apontado como o principal responsável. O ataque dos EUA e de Israel ao Irão, em final de fevereiro, e o bloqueio do estreito de Ormuz fizeram disparar os preços do petróleo e do gás. O Fundo Monetário Internacional estima que o preço das matérias-primas energéticas suba 19% em 2026.
Portugal revela-se particularmente vulnerável devido à forte dependência de importações de combustíveis fósseis. Essa poderá ser a explicação para o facto da subida dos preços no país ser superior à média da zona euro.
O Banco de Portugal prevê uma inflação de 2,8% em 2026 (revisão em alta de 0,7 pontos). O FMI aponta para 3,1% no cenário base, mas alerta que, se o conflito se prolongar, a inflação pode disparar para 4,2% este ano e para os 5,7% em 2027. Por sua vez o Banco Central Europeu manteve as taxas de juro em 2% na reunião de 30 de abril, mas já admite subidas já em junho.
Em Portugal, 50% das famílias afirmam ter perdido poder de compra no último ano, segundo um estudo realizado pela Havas Media Network. O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, já admitiu que o país possa registar défice em 2026 “se as circunstâncias o impuserem”.