O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou ontem que o Porto vai ter uma nova via de cintura externa para tentar resolver o problema de congestionamento da VCI. O anúncio foi feito após um encontro com os presidentes da Câmara do Porto e de Lisboa, Pedro Duarte e Carlos Moedas.
A nova infraestrutura será designada Via de Cintura Externa (VCE) e servirá como ligação intermédia entre a VCI e a CREP/A41 como alternativa para a travessia da cidade. Montenegro considerou que esta intervenção, em conjunto com a resolução do problema de congestionamento do nó de Francos, poderá representar “a maior transformação de trânsito do Porto e da Área Metropolitana”.
Integrado no mesmo projeto, a Avenida AEP será “enterrada” em Ramalde dando origem ao novo Distrito Económico e Empresarial do Porto. O autarca Pedro Duarte estima que esta reorganização urbana na zona industrial possa criar até 35 mil postos de trabalho e seis mil novas habitações para a classe média.
A construção de novas vias é a solução?
Vários estudos indicam que construir novas vias e mais faixas de rodagem nas cidades não resolve o problema do trânsito. Na verdade, só o piora. O fenómeno é conhecido como “demanda induzida” (ou induced demand) e tem sido documentado há décadas.
Um número crescente de cidades em todo o mundo já percebeu que o caminho está em reduzir o espaço para o automóvel e devolver a cidade às pessoas. Já na década de 1940, o urbanista Robert Moses percebeu que os megaprojetos de construção de novas vias á volta de Nova Iorque acabaram por ter o efeito contrário, gerando mais trânsito do que aquele que existia anteriormente.
Estudos da Universidade da Califórnia em Berkeley, em parceria com o Oliver Wyman Forum, desenvolveram o Urban Mobility Readiness Index, que analisou 30 municípios e concluíu que, por cada 10% de aumento na capacidade das estradas, o tráfego cresce cerca de 9% em apenas quatro anos.
Um estudo de 2020 da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) analisou 545 municípios europeus entre 1985 e 2005 e demonstrou que a expansão de vias rodoviárias urbanas não soluciona o tráfego, resultando, em vez disso, no aumento do fluxo de carros e na manutenção dos engarrafamentos.
Aquilo que a ciência percebeu nos últimos anos é que, ao construir novas vias, o custo (tempo) de uma viagem é efetivamente reduzido. Mas isso acaba por incentivar mais pessoas a usar o carro, a fazer viagens mais longas ou a trocar o transporte público pelo veículo particular, preenchendo rapidamente a nova capacidade e regressando ao congestionamento inicial.
A solução mais consensual é o investimento em redes de transportes públicos eficazes e redução de vias de trânsito nos centros das cidades.

Na área da segurança, foi igualmente aprovado um reforço substancial dos efetivos policiais na cidade. O comando metropolitano da PSP receberá mais 200 agentes, e a Polícia Municipal será reforçada com mais 80 elementos, até ao final do ano. O primeiro-ministro acrescentou ainda que será promovida uma reorganização dos serviços nas esquadras para libertar mais 500 polícias para funções de patrulhamento.