
O Movimento Gaia Verde, organização cívica de Vila Nova de Gaia, contesta a realização do Festival Internacional de Forró, agendado para os dias 29 e 30 de maio no Parque de São Paio, junto ao rio Douro, em Vila Nova de Gaia.
O movimento alerta para os riscos ambientais da realização de um evento de grande dimensão numa área de elevada sensibilidade ecológica, tendo em conta que o festival decorre junto à Reserva Natural do Estuário do Douro, criada através do Regulamento nº 82/2009, de 12 de fevereiro em resultado de um acordo celebrado em dezembro de 2007 entre o Município de Gaia, através do Parque Biológico, e a Administração dos Portos do Douro e Leixões.
O Festival do Forró vai decorrer entre as 13h e a meia-noite, contando com a atuação de vários artistas brasileiros e com uma expectativa de público superior a 10 mil pessoas. No Instagram da organização do festival (NoPorto Produções) foi anunciado que “que “Somos mais de 10.000 forrozeiros confirmados para essa grande edição do Festival Internacional de Forró!”. Os promotores caraterizam o espaço como “um espaço verde de lazer, projetado pelo arquiteto Sidónio Pardal, com ligação à foz do rio Douro”, sem fazer qualquer referência à polémica.
O movimento ecologista Gaia Verde considera que a localização é desaconselhável para um evento desta dimensão, devido à “pressão sobre habitats, fauna e tranquilidade do espaço”. Entre os fatores apontados como geradores de “enorme perturbação da avifauna” estão o ruído, a afluência de público, a produção de resíduos e a iluminação dos espetáculos.
Depois do Marés Vivas, é a vez do Forró
Esta não é a primeira vez que a realização de um grande festival no Estuário do Douro cria polémica e contestação. Em 2016, a Câmara de Gaia optou pelo Parque de São Paio para a realização do festival de música “Marés Vivas”, mas acabou por ceder à pressão e contestação de várias associações ecologistas que contestaram a localização do evento e o seu impacto numa àrea protegida.
“Essa memória não pode ser ignorada. Pelo contrário, deve servir de aviso: a sensibilidade ecológica do território mantém-se e os riscos continuam a ser reais”, sublinha o Gaia Verde que apela às “entidades competentes que reavaliem esta decisão”.
Questionado pela imprensa, o atual executivo municipal, liderado por Luís Filipe Menezes (PSD/CDS/IL), decidiu não fazer qualquer comentário sobre a polémica.
O Movimento Gaia Verde apresenta-se como uma organização de cidadãos, aberta, apartidária e plural, que defende os espaços verdes, a biodiversidade e promover a qualidade de vida em Vila Nova de Gaia.

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