A circulação de camiões vai passar a ser proibida na VCI, na cidade do Porto? Esta foi a promessa feita pela autarquia que, no início do ano, anunciou que a medida ia avançar em março, altura em que estava prevista a isenção de portagens para pesados na CREP nas horas de ponta, algo que já tinha sido anunciado pelo Governo em novembro. O Governo já tinha até dado o aval para a medida avançar, mas não avançou.
Em março, Pedro Duarte, o Presidente da Câmara do Porto, apontou para o segundo semestre deste ano, para retirar os camiões da VCI, mas tudo continuava dependente da concretização de uma solução técnica que permita fiscalizar a circulação de pesados impedir que os condutores furem o bloqueio. A expetativa era que neste mês de junho, a medida pudesse avançar, mas os camiões continuam a fazer fila na VCI.
O 41N contactou a Câmara do Porto para saber quando entra em vigor esta medida, porque razão ainda não foi implementada, qual o sistema pensado para a implementar e quais os estudos que suportam a decisão de construir a VCE. A assessoria de imprensa da Câmara Municipal limitou-se a referir que “tanto a restrição da circulação de veículos pesados na VCI como o projeto da VCE continuam a ser objeto de trabalho e articulação com as entidades competentes“, sem adiantar mais pormenores.
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A medida de restringir os pesados na VCI, uma das vias mais sobrecarregadas da Área Metropolitana do Porto, já tem o aval do Governo, segundo declarações do presidente da autarquia à LUSA em fevereiro, faltando apenas a operacionalizar o sistema de controlo do ponto de vista técnico. O sistema terá que distinguir os pesados que utilizam a VCI para entrar na cidade do Porto – esses vão poder circular – daqueles que a usam como via de ligação entre municípios, o que não será uma tarefa simples.
A solução técnica em desenvolvimento prevê um sistema, o mais automatizado possível, com ligação às forças policiais, que permita cruzar informações, como as guias de transporte, para verificar se os pesados têm ou não como destino o concelho do Porto.
Para isso, é necessária a colaboração dos municípios vizinhos, nomeadamente Gaia. O vice presidente da autarquia já anunciou, no início de abril, que Vila Nova de Gaia rejeita aderir a este sistema. Num comunicado enviado à LUSA, Firmino Pereira considerou que “Isto é um absurdo e uma carga burocrática, não estando o município de Gaia disponível para aderir a tal plataforma, devendo respeitar-se a responsabilidade das empresas de transportes de mercadorias em acatarem a possível proibição”.
A decisão final sobre esta medida cabe ao Governo e à Infraestruturas de Portugal, que é a entidade que gere a VCI.
Entretanto, os pesados já deixaram de pagar portagens na A41, desde o passado dia 25 de fevereiro, numa iniciativa que pretendia desincentivar este tipo de veículos a usar a VCI, mas as nudanças não tiveram grande reflexo no trânsito, que continua bastante congestionado, durante a manhã e ao final da tarde.
Mais uma vez, a restrição de circulação de pesados na VCI fica adiada, e não parece existir uma luz ao fundo do túnel para que esta medida se concretize.

A VCI em números
15 mil
É o número de veículos pesados que circulam diariamente na VCI, segundo um diagnóstico realizado em 2021 pelos municípios por onde passa a via.
133 mil
É o número de carros, em média, que circulam todos os dias na VCI. Nos últimos anos os números têm vindo a aumentar, tornando a circulação, cada vez, mais difícil.
>175%
O númeo de carros de serviços partilhados a circular na Área Metropolitana do Porto, aumentou 175% em apenas 5 anos (2020/2025).
>500
Todos os anos, registam-se mais de 500 acidentes nos troços da VCI no município do Porto. Em 2024 foram registados 608 sinistros na VCI.
Freixo Norte/Francos
Foi o troço da VCI mais congestionado em 2024, com com 136,1 mil veículos por dia, seguindo-se Francos – Arrábida Norte com 122,7 mil.



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